MAS AFINAL, POR QUE IMIGREI PARA OS ESTADOS UNIDOS?

Esta é uma história longa que vou tentar fazê-la curta, ou pelo menos dividi-la em capítulos.

A primeira coisa que gostaria de colocar é que nunca pensei em imigrar prá lugar nenhum, muito menos para os Estados Unidos.

Quando era adolescente até pensei em fazer um ano de convivência, tipo aqueles do AFS (American Field Service) mas eu era muito, mas muito enraizada a minha cidade e a minha família e acabei não indo.

Visitei os Estados Unidos e a Europa pela primeira vez somente em 1991 e aí tenho que reconhecer que descobri que o mundo era muito mais do que São Leopoldo. Lembro que chegando em Miami disse para meu marido que esse seria um lugar  que eu até moraria.

Bayside, 1991.

Mas falar uma frase por achar um local legal é uma coisa, imigrar é outra.

Entre 1991 quando falei esta frase, até 1997 ano que realmente imigrei, minha vida literalmente virou de cabeça prá baixo de uma forma que eu jamais imaginei ou programei.

Sempre acreditei que a gente é produto do que a gente pensa, mas será mesmo que aquela frase dita tão informalmente teve este poder?

Não sei.

A verdade é que um ano depois eu estava separada, depois de 18 anos de um casamento que eu considerava feliz e que foi uma das dores mais difíceis de superar. Você investe tudo num relacionamento até o momento que o outro te puxa o tapete, assim, do nada. e você não tem opção: tem que desconectar.

A caída foi dura, mas quando você tem dois filhos prá criar não é permitido ficar muito tempo no chão. É engolir o choro e ir a luta.

E assim eu fiz.  E nesta época o que eu menos queria saber era de ter algum relacionamento em que eu viesse a passar o mesmo que havia passado. Como diz o ditado, gato escaldado tem medo de água fria.

E a vida foi seguindo.

Em 1996. meu filho veio  escola dizendo que haveria uma feira no Shopping Iguatemi em Porto Alegre sobre Internet e como acessá-la. Obviamente já tinha ouvido falar em Internet, mas não sabia exatamente como este negócio funcionava. Como sempre fui curiosa e como meu filho estava interessado, nós fomos.  Lá conversei com uma pessoa da Procergs (Centro de Processamento de Dados do Estado do Rio Grande do Sul) que me explicou como funcionava, quanto custava… Achei legal e acessível. Tinha computador desde 89, portanto não me parecia algo assim tão complicado. O atendente me explicou que eu poderia fazer pesquisa, enviar e receber emails, enfim me conectar com o mundo todo.  Aquilo me parecia fascinante. Quando era pequena eu tinha uma correspondente em Buffalo, estado de New York, o que me ajudou muito a escrever em inglês. Pensei que seria uma forma de aperfeiçoar meu inglês e fazer amigos.

Fechei.

Recebemos o material e instalamos. Era ainda uma internet discada, que fazia aquele barulhinho característico, porém havia um problema. Como é que eu faria as pessoas saberem que estava do outro lado. Queria receber emails, mas de quem? Você pode estar rindo de mim, mas era isto mesmo. Toda coisa nova e super revolucionária pira a cabeça da gente, porque é tão fora da caixinha que  até duvidava.

Mexi, mexi até que achei um site que chamava American Singles e me inscrevi. Meu Deus, do dia prá noite passei a receber milhões de emails. Mas diferentemente de mim, as pessoas queriam arrumar um namorado.  Comecei a achar divertido e a “dar corda”. E se eu queria melhorar meu inglês , meu cérebro quase explodiu porque tinha que me “virar nos trinta” prá responder a todos. O “corta e cola” comia solto, porque muitos assuntos eram repetitivos. Mas no “corta e cola” eu inseria o nome da pessoa prá personalizar, e claro ,você já sacou. As vezes, eu esquecia, não relia e mandava prá outra pessoa com o nome errado. Quem nunca né? Azar. Eu estava realmente me divertindo, depois de um longo tempo de luto.

Minhas amigas não entendiam o que estava acontecendo. Comecei a sair mais cedo das festas prá ir prá casa ler meus e-mails. Era um mundo completamente diferente que entrava dentro da minha casa.

Só sei dizer que lá por junho de 96, recebi um email, em português, de um brasileiro, naturalizado norte-americano, viúvo, que me chamou a atenção. Ele mandou tarde da noite e eu respondi de manhã. Quando voltei do trabalho ao meio dia ( sim em São Leopoldo naquela época, fechava a agência ao meio dia e abria a uma e trinta) ele havia respondido. Mandei a resposta. A noite tinha outro e-mail. 

E a coisa foi evoluindo. Comecei a cortar todas as outras pessoas que me escreviam e me dedicar apenas a este amigo.

Tinhamos muitas afinidades.

Dias depois ele me ligou. Quase cai da cadeira. Ligar do exterior naquela época era um feito não só pela distância, mas pelo custo da ligação.

Lembro que na época, não tinha comunicação direta, em tempo real. O primeiro aplicativo deste tipo sõ chegou no Brasil no final de 96, talvez principio de 97 e se chamava ICQ.

Assim nõs tinhamos uma técnica. Sempre mantinhamos 10 emails abertos. Enquanto eu respondia cinco, ele respondia os outros cinco. E nesta função entre junho de 96 e setembro de 97 trocamos mais de 40.000 emails, uns maiores outros com apenas uma palavra, fora os bate-papos depois que o ICQ foi criado.

E esta correspondência resultou num amor e deste amor num pedido de casamento que foi aceito, não sem muita enrolação, porque sabia que a próxima decisão seria muito impactante não só prá minha vida como para a vida dos meus filhos:  mudar de país, fato este que renderá outros posts.

Conhecer uma pessoa pela Internet, casar com ela e mudar prá seu país hoje não parece algo do outro mundo. Mas posso dizer que era.

Tanto era que a RBS TV, afiliada da Rede Globo no Rio Grande do Sul,  mandou uma repórter me entrevistar e foi ao ar, como algo assim absolutamente diferente e inédito.

Assim que saiu na TV, fiquei quase louca tantos jornais ligaram pedindo autorização prá publicar a história.

O artigo é do Correio do Povo de Porto Alegre. Tem algumas incorreções. O casamento não foi marcado para novembro e sim para setembro de 97, quando efetivamente foi, ele não tinha três filhas e sim duas filhas e uma neta. Nunca disse que iria montar uma agência nos Estados Unidos, a repórter é que deduziu.

E aí está a razão do porque eu imigrei para os Estados Unidos: me apaixonei novamente e fui atrás desta paixão.

O que aconteceu depois?

Continuem me seguindo que vou contando.

Um abraço

Silvana

 

 

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8 thoughts on “MAS AFINAL, POR QUE IMIGREI PARA OS ESTADOS UNIDOS?

  1. Sil vc é demais…a gente se conhece faz tempo, até fomos de final de semana juntas no cruzeiro e outros mzis e nao conhecia essa historia…vou esperar o proximo capitulo…muito muito!!acho que já falei ! mas adoro seu blog e sou muito muito sua fã…um beijao Sandra

  2. Ahhhhh agora nao paro mais de ler….adorei…
    Nessa época eu tb andava pra lá e pra cá…mas pra mim foi menos louco morar fora pq eu ia trabalhando…tinhamos baseamentos….

  3. E eu lembro de quando tu foi me recepcionar no aeroporto de POA com o futuro marido e me mostrou o anel de noivado…

  4. As voltas que o mundo dá..Tudo está preparado é só ir atrás..
    Me interessei pela internet muito cedo tbm,alguns chats,mas era casada e terminava na terceira ou quarta conversa..rsrsrr
    Que bom que foi ruim,mas para melhor,parabens.

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